Rádio Tapense S.A.

Encontro Formandos 1965

Encontro Formandos 1965

O ano era 1965. Os Beatles invadiam as rádios, a televisão ainda engatinhava no Brasil, e um grupo de jovens de Tapes, no Rio Grande do Sul, celebrava a conclusão de uma etapa fundamental de suas vidas: a formatura. Mais de cinco décadas depois, o reencontro desses formandos não foi apenas uma viagem ao passado, mas uma celebração da amizade, da memória e da história viva de uma comunidade. O Encontro d, promovido com o apoio da Rádio Tapense, emocionou participantes e reacendeu lembranças de uma época de transformações e esperança.

O cenário de 1965: um Brasil em ebulição

Para compreender a dimensão emocional desse reencontro, é preciso voltar no tempo. Em 1965, o Brasil vivia os primeiros anos do regime militar, sob o governo de Castelo Branco. A televisão ainda era um luxo para poucos — a primeira transmissão em cores no país só aconteceria anos depois — e o rádio reinava como principal veículo de comunicação de massa. Programas como Balança mas Não Cai e as partidas de futebol narradas por Fiori Gigliotti embalavam os lares brasileiros.

Na esfera local, Tapes era uma cidade pequena, de economia baseada na agricultura e na pesca, onde as relações comunitárias eram intensas e a vida social girava em torno de clubes, igrejas e, claro, da escola. Para os jovens da época, a formatura representava muito mais do que a conclusão dos estudos: era um rito de passagem para a vida adulta, muitas vezes acompanhado da expectativa de deixar a cidade natal em busca de oportunidades nos centros urbanos.

A turma que fez história

foram protagonistas de um período de transição. Nas salas de aula, o giz e a lousa eram a tecnologia dominante; a biblioteca, com poucos volumes, era uma janela para o mundo. Muitos desses estudantes caminhavam longas distâncias para chegar ao colégio, e o uniforme impecável era motivo de orgulho. Entre as disciplinas, o destaque ficava por conta de português, matemática e história, com professores que, mesmo sem muitos recursos, conseguiam inspirar gerações.

Os veteranos lembram com carinho de figuras como o professor de literatura que declamava poemas de cor, ou a professora de ciências que organizava excursões para observar a natureza do entorno — um privilégio em uma região rica em paisagens lacustres. Fora da escola, os jovens se reuniam para jogar futebol nos campos empoeirados, dançar nos bailes de fim de semana e, claro, sintonizar a Rádio Tapense para ouvir as últimas notícias e as músicas de sucesso.

“Foi como se o tempo não tivesse passado. Olhar nos olhos de cada um e reencontrar as mesmas risadas, as mesmas histórias... a emoção foi indescritível.” — depoimento de um participante durante o evento.

O reencontro: preparativos e emoções

A ideia do reencontro surgiu de forma quase casual, durante uma conversa entre dois ex-colegas que se reencontraram por acaso na praça central de Tapes. A partir daí, formou-se uma comissão organizadora que, com o auxílio das redes sociais e dos contatos da Rádio Tapense, conseguiu localizar a maioria dos formandos vivos. A mobilização foi intensa: telefonemas, mensagens e até visitas pessoais garantiram que a notícia chegasse a todos, inclusive àqueles que residiam em outros estados ou no exterior.

O encontro foi realizado em um espaço aconchegante, decorado com fotografias da época, diplomas antigos e recortes de jornal. Um telão exibia imagens digitalizadas de festas juninas, desfiles cívicos e formaturas anteriores. A nostalgia tomou conta desde os primeiros abraços, e não foram poucos os que derramaram lágrimas ao reconhecer antigos colegas após décadas de distância. A programação incluiu um coquetel de boas-vindas, um jantar e, claro, muita música ao vivo — com direito a canções que marcaram , como “Garota de Ipanema” e “Help!”.

Memórias compartilhadas: o que foi lembrado?

Durante o evento, os participantes foram convidados a compartilhar suas lembranças mais marcantes. As histórias fluíram naturalmente:

  • As peripécias na escola: desde a famosa “colinha” até as fugas para tomar sorvete no intervalo;
  • Os primeiros amores: muitos casais se formaram naquela turma e até hoje estão juntos;
  • As dificuldades da época: a falta de transporte, os materiais escolares precários e a necessidade de conciliar estudo e trabalho;
  • Os sonhos de futuro: cada um contou como a vida os levou por caminhos diversos — alguns se tornaram médicos, advogados, professores, agricultores, comerciantes;
  • A importância da coletividade: havia um sentimento forte de que todos eram parte de uma mesma família tapense.

Houve também um momento solene de homenagem aos colegas falecidos, com um minuto de silêncio e aplausos emocionados. A presença de filhos e netos de alguns formandos trouxe um elo entre gerações, mostrando que a história daquela turma continuava viva.

Por que reencontros de ex-alunos são tão importantes?

Eventos como o Encontro d transcendem a simples confraternização. Eles representam a valorização da memória coletiva e o reconhecimento da trajetória de cada indivíduo dentro da comunidade. Em um mundo cada vez mais acelerado e virtual, reencontrar-se pessoalmente com aqueles que compartilharam a juventude é uma oportunidade rara de resgatar a essência das relações humanas.

Para a cidade de Tapes, a reunião desses ex-alunos é também um documento vivo. As histórias compartilhadas durante o encontro ajudam a preservar a identidade local, revelando costumes, desafios e conquistas de uma geração que ajudou a construir o município. Não à toa, a Rádio Tapense, parceira do evento, fez questão de registrar cada detalhe — inclusive disponibilizando uma Galeria de Fotos especial para que a comunidade pudesse reviver aqueles instantes.

Um legado que inspira

O sucesso do encontro já desperta o interesse de outras turmas. A comissão organizadora recebeu inúmeras mensagens de ex-alunos de diferentes anos, sugerindo a realização de eventos semelhantes. A ideia é que, a partir dessa experiência, a Rádio Tapense e a comunidade escolar possam apoiar novos reencontros, transformando a memória afetiva em um movimento permanente de reconexão.

Mais do que uma reunião, o Encontro d foi uma aula de história, de afeto e de pertencimento. Ao olhar para o passado, esses cidadãos tapenses reafirmaram que, por mais que o mundo mude, os laços forjados na juventude resistem ao tempo. E que, enquanto houver memória, a chama daquela turma continuará acesa — iluminando o presente e inspirando o futuro.

Reviva você também

A Rádio Tapense como elo do reencontro

Nenhuma história sobre o Encontro de Formand estaria completa sem um olhar atento ao papel da Rádio Tapense. Muito mais do que uma simples apoiadora, a emissora funcionou como verdadeira ponte afetiva entre os ex-alunos. Foi pelas ondas do rádio que os primeiros chamados se espalharam pela cidade, com comunicados lidos ao vivo, convites emocionados e apelos para que cada ouvinte ajudasse a localizar aquele colega de carteira que a vida levou para longe. Não raro, moradores antigos de Tapes, acostumados a sintonizar o dial pela manhã, se surpreendiam ao ouvir nomes que não escutavam havia décadas, reavivando instantaneamente rostos e episódios de uma juventude que parecia adormecida.

A rádio também transformou sua programação musical em uma máquina do tempo. Nos dias que antecederam o reencontro, boleros, sambas-canção e rocks da época — de Roberto Carlos a Celly Campello — voltaram a ecoar nas casas, enquanto os locutores compartilhavam pequenas crônicas do ano de 1965, recordando o noticiário e os costumes de Tapes. Durante o evento em si, a emissora montou um estúdio volante no salão, colhendo depoimentos em tempo real e transmitindo a emoção para quem, por problemas de saúde ou distância, não pôde comparecer. Dessa forma, a Rádio Tapense não apenas divulgou, mas costurou o afeto coletivo que fez do reencontro um acontecimento comunitário, provando que, mesmo na era digital, o rádio ainda tem o poder de unir corações.

Depoimentos espontâneos captados pela equipe mostram essa força: uma senhora contou que reconheceu o colega apenas pela voz, quando ele participou de um programa matinal; outro ex-aluno, já radicado em Santa Catarina, afirmou ter sido a insistência de uma chamada no rádio que o convenceu a pegar a estrada. A emissora não foi mera espectadora — foi parte ativa da memória e da celebração.

Do papel às redes sociais: a tecnologia que reaproximou

Se em 1965 os bilhetes dobrados e as cartas seladas eram o principal meio de comunicação entre os colegas que seguiam rumos distintos, meio século depois foi a tecnologia digital que permitiu o reencontro em massa. Tudo começou com uma lista amarelada de nomes, resgatada do fundo de uma gaveta por uma das formandas, e que foi pacientemente digitada e compartilhada em um grupo de mensagens. Aos poucos, a rede de contatos cresceu: filhos e netos assumiram a função de “detetives”, usando redes sociais para encontrar sobrenomes conhecidos, cruzar informações e localizar até mesmo quem já não usava o nome de solteira.

O processo, contudo, exigiu sensibilidade. Para muitos dos formandos, a internet ainda é território pouco familiar, e foi a ajuda das gerações mais novas que viabilizou a conexão. Criou-se uma corrente de solidariedade digital, onde cada descoberta — um perfil no Facebook, um número de telefone fixo, o endereço de um sítio no interior — era recebida com festa no grupo. As vídeo-chamadas, antes impensáveis, tornaram-se ensaios emocionados para o abraço presencial, quebrando barreiras de tempo e espaço com a imagem tremida de um sorriso que não se via desde a juventude.

Curiosamente, a tecnologia serviu também para resgatar materiais que enriqueceram o encontro. Fotografias em preto e branco, digitalizadas por parentes, revelaram cenas esquecidas do baile de formatura, das salas de aula e dos passeios de domingo. Até uma gravação caseira, em áudio, da cerimônia de colação de grau foi recuperada e transformada em arquivo digital que pôde ser ouvido por todos, fazendo com que a voz da paraninfa e os aplausos originais voltassem a soar no salão, agora entre lágrimas de reconhecimento.

Os que ficaram pelo caminho: homenagem e saudade

Em todo reencontro que atravessa cinco décadas, a ausência de colegas que já partiram é uma sombra suave, mas presente, que se transforma em luz quando acolhida com respeito. A comissão organizadora preparou um momento especialmente reservado para homenagear os falecidos, com um painel de fotos onde cada rosto foi disposto como se ainda ocupasse um lugar à mesa. Foram mais de quinze nomes lembrados, muitos deles de pessoas que, mesmo ausentes, permaneciam vivas nas histórias que os amigos trocavam no salão — o menino que sabia tocar gaita, a moça que declamava poemas nas festas, o colega que se tornou professor na mesma escola onde estudaram.

A cerimônia silenciosa, embalada por uma valsa antiga que tocava baixinho, deu lugar a depoimentos espontâneos. Uma formanda, ao ver a foto da amiga com quem dividia a merenda na hora do recreio, confessou que guardava até hoje um pequeno bilhete de despedida enviado quando a colega se mudou para Porto Alegre. Outro ex-aluno lembrou do companheiro de futebol no campinho do bairro, perdido precocemente em um acidente, e agradeceu por poder, ali, reafirmar que a amizade não se apaga. O salão, que antes vibrava com risos e abraços, tornou-se por instantes uma capela de afeto.

Essa homenagem não ficou restrita ao evento. No encerramento, sementes de ipê — árvore símbolo de Tapes — foram distribuídas aos participantes, com a sugestão de que cada um as plantasse em memória de um colega ausente. Assim, a saudade ganhou terra, raiz e a promessa de florescer a cada primavera, transformando a perda em legado permanente na paisagem da cidade.

Tapes ontem e hoje: um olhar sobre a cidade que os formou

Ao reencontrar os colegas, também reencontraram a própria Tapes. E a cidade que os acolheu naquele fim de semana já não era exatamente a mesma da juventude, embora muitos cantos ainda guardassem as marcas de um tempo mais lento. A região central, que antes se resumia a um punhado de ruas calçadas de pedra irregular, agora exibe asfalto, prédios comerciais e um trânsito que, para os olhos da época, seria surpreendente. O antigo cinema, onde muitos namoros começaram durante as matinês de domingo, deu lugar a uma loja, e o coreto da praça, palco de retretas e discursos cívicos, permanece como peça de memória, restaurado e fotografado incontáveis vezes durante o encontro.

A transformação da orla da Lagoa dos Patos foi um dos pontos mais comentados. O trapiche de madeira que testemunhou tantas despedidas de verão agora divide espaço com um calçadão moderno e quiosques. Para alguns, a surpresa foi agridoce: a sensação de estranhamento diante do novo contrastava com o conforto de ainda reconhecer o cheiro da lagoa, o voo das gaivotas e a luz dourada do entardecer, que permaneceram intocados. Essa conversa — sobre o que mudou e o que resiste — dominou as rodas, com cada um contribuindo com um fragmento de lembrança: aqui ficava a padaria do seu Antunes, ali o barbeiro que cortava cabelo dos guris, acolá a figueira onde gravavam iniciais com canivete.

Para os formandos, avaliar a Tapes contemporânea foi também um jeito de medir a própria jornada. A cidade, como eles, ganhou rugas e ao mesmo tempo se renovou. E notaram, com orgulho, que a escola que os formou — o então Ginásio Estadual de Tapes — expandiu-se, dando origem a novas gerações de alunos que talvez, daqui a cinquenta anos, se reúnam para contar suas próprias histórias. O acolhimento caloroso dos moradores, que abriram as portas para os visitantes e participaram da programação, foi a prova de que o espírito comunitário que conheceram na juventude segue sendo o verdadeiro patrimônio de Tapes.

Se você se emocionou com essa história, convidamos você a explorar a Galeria de Fotos do evento, onde cada imagem conta um capítulo dessa jornada nostálgica. E para mais conteúdos sobre a história e a cultura de Tapes, continue acompanhando a programação da Rádio Tapense — a voz da comunidade desde sempre.